A Rubra faz 4 anos

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Mai 172012
 

A Rubra nasceu há 4 anos, no dia 25 de Abril, o dia mais bonito e harmonioso, o dia límpido escreveu Sophia de Mello Breyner. Em 4 anos, um grupo de gente com profissões muito diversas fez uma revista como (infelizmente) quase não há no panorama português: entrevistámos em Inglaterra o cineasta Ken Loach, o músico Sowetto Kinch, estivemos em reportagem na Palestina, na Tunísia, no Irão, na Grécia. Ganhámos o prémio Grande Angular pelo filme que concebemos e produzimos O Mar é Nosso, em defesa dos pequenos pescadores da costa, entrevistámos economistas marxistas que põem em causa tanto o liberalismo como o keynesianismo, denunciámos a medicalização das crianças com ritalina e defendemos o seu direito a brincar e a reconquistar as ruas, entrevistámos um médico somali que demonstrou que piratas são as potências ‘ocidentais’ que rapinam as costas do seu país. Lembrámos que a Maria da Fonte foi uma revolta contra a concentração da propriedade e que os EUA lançaram a bomba atómica para evitar o controle do Pacífico pela URSS. Mostrámos que a dívida é uma forma privada de acumulação de capital e que os desempregados são trabalhadores. Desvendámos como a ajuda alimentar aos países pobres destrói a agricultura local e é um subsídio aos excedentes ‘ocidentais’, entrevistámos Clarence Thomas, o líder da greve de 25 000 estivadores norte-americanos contra a ocupação do Iraque. Fomos entrevistar em Portugal os enfermeiros, as trabalhadoras domésticas que vivem na Cova da Moura, os tiradores de cortiça e os operários corticeiros. Falámos até de fado operário e de futebolistas revolucionários. Continue reading »

Mai 142012
 

Para que serve um Banco Central sem taxa de juros?

Para quase nada. O problema (seríssimo) com que o Federal Reserve (Fed), banco central do planeta, se defronta neste momento, é justamente lidar com essa perigosa armadilha de se manter por muito mais tempo a sua taxa básica de juros no perigoso território das taxas superzero.

 Se depender da discussão entre os economistas mais populares da cena mundial será difícil entender as causas (e menos ainda a solução) do elevado desemprego que assombra as economias dominantes. Começando pela maior economia do planeta. O nível da discussão caiu um pouco mais, na semana passada, quando o popular prêmio Nobel de economia Paul Krugman disse em artigo no jornal New York Times que o a rígida política monetária executada pelo Fed, banco central dos EUA, é a causa do elevado desemprego dos trabalhadores no país.

E provoca seu antigo chefe, que o contratou (inadvertidamente, podemos acrescentar) para dar aulas no departamento de Economia na Universidade de Princeton, em 2000. Diz ele que Ben Bernanke, atualmente presidente do Fed, teria mudado sua própria opinião do final dos anos 1990 – quando recomendava aos japoneses em ensaios acadêmicos que expandissem a inflação como remédio contra a grande recessão e deflação dos anos 1990 – não a aplicando na política praticada pelo Fed hoje.

PROPOSTA OBSCENA

Para o eclético economista, o Fed deve executar o que Bernanke preconizara para os japoneses: um fulminante aumento dos preços ao consumidor, quer dizer, “criar uma inflação de pelo menos 4 por cento” para reanimar a economia e “colocar os americanos de volta ao trabalho”. Como ele justifica sua tão sofisticada proposta? Muito simples: “A expectativa de uma elevada inflação ajudaria a economia, pois convenceria investidores e homens de negócio que ficar sentado em cima do dinheiro é uma péssima ideia”.1

Esse tipo de contorção mental, típica da pior vertente da economia vulgar (neoclássica ou keynesiana) tem pelo menos dois defeitos. O primeiro é genético: nosso voluntarioso Nobel de Economia, que não sabe qual a diferença de valor de troca e valor, como toda economia vulgar; consequentemente não sabe o que é moeda, que nada mais é do que uma forma do valor. Por essa má formação genética, ele acredita piamente que a moeda nasce no Banco Central e Bernanke tem toda autonomia do mundo para manobrar a seu bel prazer os preços reais da economia.

Que maravilha se essa elucubração fosse verdade. As crises econômicas já teriam sido abolidas há muito tempo. Aliás, nunca teriam existido. Nem o capital. Ao invés de uma contraditória lei geral da acumulação de capital comandando a dinâmica da economia, no ilusório mundo da economia vulgar existiriam apenas desequilíbrios ou falhas facilmente corrigíveis do virtuosíssimo mercado de oferta e demanda de moedas, de utilidades, de fatores de produção e de prêmios Nobel de economia.

Exagero? Pois é assim que a idiotia econômica imagina a vida econômica real. Depois que eles apagaram dos livros-texto e dos cursos de Economia a lei do valor-trabalho dos grandes economistas – Petty, Sismondi, Smith, Ricardo, Marx, etc., por simples instinto de sobrevivência dos capitalistas, proprietários fundiários e outras classes improdutivas – esses falsários foram condenados a vagar pelo mundo como laureados zumbis acadêmicos a repetir asneiras sobre a

moeda e outras categorias da verdadeira Economia Política.

HELICÓPTEROS ENFERRUJADOS

O segundo e mais grave defeito da proposta da nossa laureada musa da superficialidade econômica é de ordem prática. Ou, melhor dizendo, de irresponsabilidade. O próprio Bernanke, que, independentemente de sua filiação teórica, é um economista inteligente, e é isso que interessa, explica ele mesmo:

Existe essa visão circulando de que as opiniões que exprimi a 15 anos atrás sobre o Banco do Japão são contrárias a nossas políticas atuais. Isso é absolutamente incorreto. Minha opinião e nossa política atual são completamente consistentes com as opiniões que eu sustentava naquela época. A questão é se faz algum sentido incentivar uma elevada taxa inflacionária para conseguir uma levíssima queda da taxa de desemprego. O ponto de vista do comitê do Fed é que isso seria muito irresponsável”.2

Na atual quadratura do ciclo, a proposta irresponsável de Krugman, mais que indecente, equivaleria a retirar os helicópteros de Bernanke da garagem e retomar intermináveis e insanos voos rasantes sobre Wall Street lançando mais e mais QEs, os Quantitative Easing [relaxamento quantitativo], com os quais o Fed lançou os mais de três trilhões de dólares no mercado no auge da crise. De vez em quando, ainda se ouve vozes isoladas especulando sobre a possibilidade de um QE3. Mas essas vozes são cada vez mais raras. Tendem a silenciar por completo.

A irresponsabilidade de Krugman a que se refere Bernanke decorre do fato que devido àquela má formação genética que nos referimos acima, ele é incapaz também de acompanhar as mudanças da dinâmica econômica no decorrer do ciclo de negócios. Mas para quem entende um pouco de deflação e inflação, como o próprio Bernanke, Greenspan, Summers, Roach, etc., não é preciso muito esforço para entender que relançar os QEs agora seria uma idiotice completa.

Os helicópteros de Bernanke já estão enferrujados. É coisa do passado, do período 2008-2010. Agora, mesmo com uma recauchutagem dos velhos aparelhos, injetar mais moeda no mercado não faria nenhum efeito sobre o crescimento econômico – apenas aumentaria a conta que será cobrada (com juros e correção monetária, já que estamos a falar de mercado monetário) no final do atual período de expansão. O mesmo vale para mais gastos do governo que aumentassem doravante a também exaurida dívida pública.

O VERDADEIRO PROBLEMA

O Fed ainda dispõe de instrumentos para regular energicamente o mercado? Como o fez em todo o período pós-guerra? Ou já atingiu a exaustão? Bernanke repete sem parar aos homens do mercado que a deflação foi vencida e que o Fed, mesmo com a inutilidade da sua taxa zero de juros, típica de uma moeda refém de uma armadilha de liquidez, deflacionária, dispõe de outras ferramentas para operar a sua política monetária. Quais são essas ferramentas? Isso é um grande mistério.

É claro que as raposas do mercado desconfiam dessas afirmações. Com dinheiro em jogo dissimulação não pega. As expectativas criadas pelas autoridades monetárias são cada vez menos racionais. Mas enquanto a indústria reguladora do preço de produção do mercado mundial continuar seu atual período de expansão e acumulação cíclica a aumentar a produtividade do trabalho e a inundar de mais-valia os cofres dos capitalistas e demais classes proprietárias em todo o mundo, todos fazem de conta que o Fed ainda tem muitas e eficientíssimas ferramentas para agir.

Para que serve um Banco Central sem taxa de juros? Para quase nada. O problema (seríssimo) com que o Fed se defronta neste momento é justamente lidar com essa perigosa armadilha de se manter por muito mais tempo a taxa básica de juros do banco central do planeta próximo de zero.

É importante salientar que é devido a condições muito particulares do atual período de expansão que o Fed é obrigado a fazer o que se chama no mercado de forward guidance (“indicação de tempo” tradução livre): prefixar que até meados de 2014 a taxa básica de juros da maior economia do planeta é imexível, quer dizer, permanecerá no fatídico território das taxas superzero.

No mesmo território, aliás, que permanece até hoje a taxa básica do Banco do Japão. Pelo que nos lembramos, essa é a primeira vez que o Fed se utiliza de um forward guidance de tão longa duração. Não é a melhor confissão de que o Fed está exaurido?

Se, no final dos anos 1990, as recomendações do professor doutor Ben Bernanke não ajudou aos japoneses a extirpar de vez o tumor que ainda se aloja na terceira grande economia dominante mundial (a segunda é a Alemanha do capenga euro), elas funcionarão agora em sua própria casa? Talvez.

De todo modo, o atual período de expansão tem prazo curto de validade. Não mais que dois a três anos, se tanto. Aí poderemos esclarecer essas dúvidas da maneira mais prática possível. Vale a pena esperar, pois o espetáculo será grandioso.

1 Bloomberg News – “Krugman Says Fed ‘Reckless’ to Allow High Jobless Rate” [Krugman Declara que Fed é ‘Irresponsável ’ ao Permitir Alta Taxa de Desemprego] – http://www.bloomberg.com/news/2012-04-30/krugman-says-fed-should-allow-inflation-to-rise-above-2-goal.html

2 Bloomberg News – Bernanke Takes On Krugman’s Criticism Ignoring Own Advice – [Bernanke rebate crítica de Krugman de que ele ignora sua própria recomendação] http://www.bloomberg.com/news/2012-04-25/bernanke-rejects-criticism-he-ignores-his-own-policy-advice.html

Primavera Global – 12 de Maio

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Mai 092012
 

12 de Maio (Sábado) das 14:00 hs às 18:00h

Lisboa: Saída do Rossio até o Parque Eduardo VII

A Primavera Global PT sairá à rua no mês de Maio, com um programa de acção que será divulgado, associando-se ao protesto Global Spring que decidiu fazer de Maio de 2012 o mês dos dias globais de acção.

A Primavera Global PT é composta por cidadãos, activistas, colectivos…, movimentos sociais que, em conjunto, de forma pacífica, na sua diversidade e autonomia, querem encontrar soluções e construir novos modelos de organização à escala humana, mais sustentáveis e mais democráticos. E fazem-no descentralizados e autonomamente mas convergentes em vários pontos do país onde este apelo de indignação e mudança se faça sentir.

O 12M de 2012 surge um ano após o 12 de Março de 2011, data histórica para a indignação em Portugal, em que se organizou uma das maiores manifestações da história recente. O 12 de Março de 2011 foi o rastilho de mobilização cidadã que incendiou várias cidades da Europa, sobretudo após o 15 de Maio em Espanha, seguindo também o impulso vindo das revoltas no mundo árabe. O ano de 2011 ficou, depois, marcado pelo dia de protesto mundial de 15 de Outubro. Do Japão ao Brasil, dos EUA à Europa, o chamado movimento d@s Indignad@s saiu à rua, manifestou-se, exigiu ser ouvido. O ano ficou também assinalado pela ocupação de Wall Street, em pleno coração do sistema financeiro global, dando origem ao movimento Occupy. Em paralelo e em concertação, inúmeros colectivos locais, de transição, de bairro ou movimentos sociais tematizados organizavam-se propondo alternativas.

A Primavera Global PT pretende dar voz e visibilidade a todas estas iniciativas e propostas de mudança.

Evento para Iniciativas 12-15 Maio, Lisboa:
https://www.facebook.com/events/423846874292896/

Eventos Nacionais:
Lisboa: https://www.facebook.com/events/278304118921316/
Santarém – http://www.facebook.com/events/361011567273888/
Porto – https://www.facebook.com/events/387108018000203/
Coimbra – https://www.facebook.com/events/220132834764631/
Faro- https://www.facebook.com/events/235473599887300/
Évora – https://www.facebook.com/events/317721438298039/
Braga – https://www.facebook.com/events/148024905327920/

Eventos Internacionais:
Mundial – http://www.facebook.com/events/345725532133198/

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http://www.facebook.com/PrimaveraGlobalPt
primaveraglobal2012@gmail.com

Mai 032012
 

Os patrões não parecem muito preocupados com as consequências sociais, no futuro próximo, da perigosa estratégia de manipulação sanguinária do exército industrial de reserva mais globalizado do que nunca. Seus economistas e seus burocratas das instituições multilaterais, ao contrário, estão inquietos.. E os subterrâneos se movem.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT), instituição burocrática da imperial Organização das Nações Unidas (ONU), em seu anual “Relatório Sobre o Trabalho no Mundo 2012: empregos melhores para uma economia melhor”1 – informa ao distinto público que ainda restam 50 milhões de empregos a menos do que havia às vésperas da eclosão da mais recente crise periódica do capital (2008/2009).

Se consideramos a recuperação iniciada há quase três anos, no terceiro trimestre de 2009, nos deparamos com uma particularidade muito importante do presente ciclo: não se tem notícia de nenhum outro ciclo anterior, pelo menos nos últimos setenta anos, que tenha apresentado tanta lentidão em reconvocar os reservistas do glorioso exército industrial de reserva mundial. Já tratamos deste fenômeno. Mas, antes de outros comentários, vejamos outras informações importantes do relatório da OIT, mantendo toda fidelidade ao texto e à sua burocrática linguagem de funcionários do capital: Continue reading »

Abr 292012
 

A Revista Rubra declara toda a sua solidariedade para a activista que foi constituída arguida na sequência de uma acção de distribuição de informação no centro de emprego do Conde Redondo, no dia internacional do desemprego. Pelo exercício deste simples direito, a activista está acusada do “crime de desobediência” o que constitui um ataque sem precedentes às conquistas de Abril.

Acresce à gravidade dos factos as declarações da porta-voz da PSP, que diz que para esta força repressiva ” “duas pessoas já fazem uma manifestação”, concepção passadista que repudiamos veementemente e continuaremos a desafiar a cada momento da nossa actividade política.

Morreu Miguel Portas

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Abr 252012
 

Miguel Portas morreu ontem, 24 de Abril, ao fim da tarde, no Hospital ZNA Middelheim, em Antuérpia, de complicações de um cancro do pulmão detectado há dois anos.

Como jornalista, fundou e foi director de três revistas: Contraste, e a nova Vida Mundial. Trabalhou ainda no Expresso e foi colaborador de outros órgãos de imprensa, como o Diário de Notícias, o Sol e, até aos últimos dias, a Antena 1.

Foi co-autor e apresentador de duas séries documentais para a televisão: Mar das Índias (2000) e Périplo (2004), sobre o Mediterrâneo. Publicou os livros E o resto é paisagem (2002), No Labirinto (2006) e Périplo (2009).

Foi sobretudo um militante de esquerda: primeiro, do PCP entre 1974 e 1989. Em 1999, esteve entre os fundadores do Bloco de Esquerda, tendo sido o cabeça de lista nas eleições europeias de 1999. Eurodeputado do BE desde 2004, foi reeleito em 2009 com 10.73% dos votos. Foi dirigente nacional do Bloco desde a sua fundação até há muito pouco tempo.

Enérgico, inteligente, combativo, conversador, viveu e amou a vida intensamente.

O colectivo da revista Rubra endereça aos seus filhos, André e Frederico, ao Bloco de Esquerda e a todos os seus familiares, amigos e camaradas os seus sentidos pêsames.

Abr 162012
 

Em nenhum outro período de recuperação desde a 2ª Guerra Mundial, as empresas norte-americanas foram tão rápidas em impulsionar seus gastos em máquinas e softwares e, ao mesmo tempo, tão lentas em contratar pessoas para operá-los. Isso intriga os economistas do sistema.

 Uma coisa muito importante na dinâmica do ciclo periódico é a renovação (ou reprodução) do capital fixo na economia nacional reguladora do sistema. Uma onda generalizada de investimentos capitalistas em novas máquinas e softwares em um curto espaço de tempo ocorre no início de um novo período de expansão. É o sinal mais claro (e necessário) da retomada para mais um período de expansão global. Nos dois últimos anos, esta renovação do capital fixo está batendo recordes na economia de ponta do sistema. Veja os números abaixo.

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Abr 102012
 

A superpotência imperialista do início do século XXI herdou do antigo imperialismo britânico do século XIX o péssimo hábito de alavancar a recuperação cíclica da sua economia com a exportação da crise para o resto do mundo.

 Depois de notícias de preocupante desaceleração na produção industrial chinesa no mês de Março, pelo quinto mês seguido1 – nesta semana foi a vez de o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) publicar dados assustadores de desaceleração da indústria brasileira:

Na comparação com fevereiro de 2011, o total da indústria teve queda de 3,9%, sexta taxa negativa consecutiva nesse tipo de confronto e a mais intensa desde setembro de 2009 (-7,6%). Assim, o setor industrial acumulou perda de 3,4% nos dois primeiros meses de 2012. A taxa anualizada, indicador acumulado nos últimos doze meses, ao recuar 1,0% em fevereiro de 2012, prosseguiu com a trajetória descendente iniciada em outubro de 2010 (11,8%) e assinalou a taxa negativa mais intensa desde fevereiro de 2010 (-2,6%).” Continue reading »

 Comentários Desligados
Mar 262012
 

Os Brics estão perdendo o brilho. De repente, China e Brasil apresentam uma estranha doença – uma espécie de paralisia industrial que pode travar a sagrada acumulação do capital nestes territórios de caça do imperialismo.

Ainda é comum se ouvir de economistas e de grandes organismos econômicos internacionais como FMI, Banco Mundial, etc. que os “emergentes” Brasil, Rússia, Índia e China (conhecidos como Brics) são a nova locomotiva da economia mundial. Quase um ano atrás, já tratamos dessa veleidade no boletim nº 1064 Mudanças na Economia Mundial, Maio 2011, discorrendo sobre uma importante característica do atual período de expansão global – de um lado, produção travada na periferia do sistema, incluídos os Brics; de outro, expansão das principais economias dominantes, EUA, Alemanha e Japão. Continue reading »

Mar 162012
 

A coisa está ficando monótona. Agora, toda semana é a mesma coisa. O capital não pára de subir. O mundo dos mortos recupera sua força. O capital mundial (incluindo a decadente Europa) ressuscita com a enxurrada de valor e mais-valia a se multiplicar pela totalidade do sistema.

No boletim da semana passada falamos do recorde de valorização do índice Down Jones, que havia ultrapassado os 13.000 pontos e se aproximado do pico de valorização do ciclo anterior (2003-2008). Nesta semana, foi a vez do S&P 500, também da bolsa de valores de Nova York, outro importante indicador do valor de mercado de 500 acções dos principais ramos industriais dos EUA.

Wall Street festeja. No começo da tarde de quinta-feira, dia 15, o S&P 500 ultrapassou os 1.400 pontos pela primeira vez em mais de quatro anos. Relembre-se: no mais baixo ponto do último período de crise, em 06/Março/2009, o S&P 500 beijou a lona ao cravar 683 pontos. A queda abaixo de 600 pontos pulverizaria as acções em Wall Street e incendiaria a economia mundial. Como em 1929. Não ocorreu. Agora, com a maior valorização de um primeiro trimestre desde 1998, cerca de 11% de valorização desde o início deste ano, o índice se aproxima velozmente do recorde do período de expansão anterior de 1.552 pontos, ocorrido em 13/julho/2007. Novo ciclo, em patamar superior. Continue reading »