A falência da nem um pouco comum moeda europeia (euro) avançou um pouquinho mais na quarta-feira, 21. Inesperadamente, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu emprestar cerca de 489 bilhões de euros (635 bilhões de dólares) para os bancos privados do continente. Isso é inacreditável. Esse monumental volume de moeda equivale ou ultrapassa o valor do produto interno bruto (PIB) de economias médias da Europa, como Holanda (780 bilhões de dólares), Suíça (530 bi), Bélgica (470 bi), Suécia (460 bi) e Noruega (410 bi). É mais que o dobro do PIB da Grécia (300 bilhões de dólares) e o triplo do PIB de Portugal (230 bilhões de dólares) e da Irlanda (210 bi). Continue reading »

 

No desdobramento da falida eurozona, uma repetição farsesca da antiga “serpente monetária” ou do Sistema Monetário Europeu (SME) que existiram antes do tratado de Maastricht e da implantação da assim chamada moeda comum europeia.

Se a doença europeia fosse de natureza puramente econômica, não seria muito difícil encontrar o remédio: desvalorização significativa do euro e emissão de bônus europeus (não de Estados nacionais isolados, como agora) para financiar os déficits e dívidas soberanas dos governos da área. A primeira medida rebaixaria a relação câmbio/salário e aumentaria a competitividade das grandes e pequenas economias europeias no comércio internacional. A segunda reduziria bastante o risco dos empréstimos bancários aos governos, na medida em que os bônus europeus teriam o Tesouro alemão como garantidor direto das novas dívidas – e aumentaria o volume de crédito e de meios de pagamento, como ocorre nos Estados Unidos. Haveria estímulo para retomada generalizada da produção e do emprego. Até o euro poderia durar mais alguns anos. Continue reading »

 

Para garantir uma elevação da taxa de mais valia como nunca visto, o sistema necessita de uma elevadíssima taxa de desemprego pelo maior tempo possível. Ganha corpo, assim, uma nova conformação entre desemprego, salários e produtividade da força de trabalho na totalidade do mercado mundial.

O exército industrial de reserva nos EUA, Eurozona e Japão passa por profunda mudança de pele. Em nome do capital as burguesias imperialistas (EUA, UE e Japão) são obrigadas a fazer a eutanásia da sua aristocracia operária. A mais-valia absoluta – prolongamento da jornada, salário abaixo do valor da força de trabalho, baixa produtividade, etc. – se espalha como um rastilho de pólvora nas economias que centralizam a indústria de ponta global.

DESEMPREGO PERSISTENTE

Nesta semana, dia 2 de Dezembro, o Departamento do Trabalho dos EUA divulgará a taxa de desemprego de Novembro. Sem grandes mudanças, de acordo com as previsões de quem entende do assunto: “Em Novembro, o ritmo de contratações provavelmente não foi capaz de reduzir o desemprego nos EUA… De acordo com a média das previsões dos 59 economistas ouvidos pela Bloomberg, a taxa de desemprego manteve-se provavelmente em 9 por cento”1. Continue reading »

 

www.cadpp.org

Manifesto

O CADPP é um grupo cívico que se propõe:

  • promover o estudo, debate e divulgação pública do processo de endividamento nacional e suas alternativas;
  • apoiar uma auditoria cidadã à dívida pública, com suspensão do pagamento da dívida;
  • apoiar a anulação imediata da dívida ilegal, ilegítima ou odiosa à face do direito nacional e internacional (com salvaguarda dos pequenos investidores individuais);
  • apoiar a eliminação dos factores de endividamento nacional;
  • promover a solidariedade e a coordenação de esforços com movimentos e grupos afins dentro e fora do país. Continue reading »

ESTE NÃO É O NOSSO ORÇAMENTO

 Posted by Rubra at 16:24
Nov 082011
 

ESTE NÃO É O NOSSO ORÇAMENTO
O orçamento que se quer aprovar no dia 10 de Novembro
representa um retrocesso de mais de 100 anos na história da vida das pessoas, como é o caso claro da conquista de oito horas de trabalho diárias, a 1 de Maio de 1890. A expansão do horário de trabalho em meia hora por dia, o fim dos subsídios de natal e de férias nos próximos dois anos, o aumento do IVA, os cortes na saúde e educação e a privatização da água, rede eléctrica e correios são algumas das medidas de brutalidade anunciadas ao país pelo governo. O «esforço adicional» que o governo exige recai sobre os mesmos, aqueles que trabalham,
pagam as suas contas em dia e não são os responsáveis pela actual crise da dívida pública. Essa artimanha pretende deixar impune aqueles que estão a lucrar com a especulação da dívida e que são os responsáveis pela actual crise: banqueiros, patrões e multimilionários, bem como políticos que os apoiam.
O protesto é necessário!
Por melhores condições de vida e pelo direito à indignação
«face ao actual modelo de governação política, económica e
social» como refere o manifesto do ’15.O’.
ESTE NÃO É O NOSSO ORÇAMENTO!
ESTA DÍVIDA NÃO É NOSSA!
SUSPENSÃO DO PAGAMENTO DA DÍVIDA
E AUDITORIA POPULAR JÁ!
ROUBO COLOSSAL! GREVE GERAL!
VEM DECIDIR A TUA VIDA,
NÃO PERMITAS QUE DECIDAM POR TI!
SÓ NA RUA PODEREMOS PARAR O ORÇAMENTO!

www.15deoutubro.net

 

Conversa com José Martins, economista

O que é de facto o tal perdão de 50% da dívida grega?

Troca-se os títulos antigos da dívida grega detidos pelos bancos por novos títulos, com a metade do valor dos antigos. Reestruturação da dívida. Quem cobre essa diferença? Os governos da EU.

Quando dizes cobrir a diferença significa cobrir para a banca, ou seja, os governos da EU passam os demais 50% para a banca? Por outras palavras, os bancos vão sofrer perdas de facto?

A totalidade ou apenas uma parte. Essa é a briga entre os governos (principalmente o alemão) e os bancos. O problema é que cada governo quer salvar apenas os “seus” bancos. A EU não explicitou os detalhes, quanto perdem os governos, quanto perdem os bancos. Por isso o mercado está com um pé atrás com o “grande acordo” da semana passada. Na verdade, ainda não se sabe quem vai pagar a conta. A experiência das reestruturações da América Latina nos anos 90, a proporção era 90% pagam os governos, 10% os bancos.

Já agora, isso é feito sem contrapartidas do governo grego (para além do saque que os gregos tem sofrido, é claro)?

Os governos da EU jogam a factura para a Grécia. O povo grego, português, etc. são chamados a pagar a conta. Os governos da EU transferem para os governos em moratória – Grécia, Portugal, etc. – os recursos (ou garantias) que de alguma forma serão repassados para os bancos privados. Mas esses recursos dos resgates serão pagos pela população desses endividados, através dos “programas de estabilização” da economia, etc.

Porque ganham os bancos privados com a reestruturação?

Ganham porque se livram de títulos podres, que são trocados por novos com elevadas taxas de juros, além de receberem enormes transferências de recursos (ou de garantias de crédito) dos governos, através do Banco Central ou dos Tesouros nacionais. Com isso se livram da necessidade de auto-recapitalização. Quer dizer, ressuscitam seus activos apodrecidos  sem ter de gastar nenhum tostão de capital do seu próprio bolso. São recapitalizados com dinheiro público. E voltam ao mercado à caça de mais sangue dos governos e respectivas populações trabalhadoras.

 

A verdade é como o azeite, vem sempre ao de cima…mas é preciso não beber a primeira golada. Esperar pacientemente fontes seguras e pelo menos ouvir o contraditório, regras básicas do jornalismo sério. Ontem entrevistámos para a Rubra Michael Savas. Falou-nos de Atenas, onde tem estado a participar nas greves e manifestações. Este médico, dirigente do EEK, organização trotskista grega, confirmou-nos que o EEK, toda a esquerda revolucionária, o Partido Comunista Grego e o Synaspismos (próximo do BE português), são contra as decisões de 26 de Outubro, incluindo o corte de 50% da dívida. Savas falou-nos ainda da mobilização popular que parou as paradas militares, do referendo, da rixa entre anarquistas e estalinistas no Parlamento e do significado da substituição das chefias militares. Para ler aqui, Rubra, serviço público de informação ao serviço da revolução.

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Ago 082011
 

Na madrugada do dia 5 de Agosto 2011, sexta-feira, em Nova York, centro do sistema, o dia estava terminando em Tóquio e Pequim. E o stress continuava. O medo global de um duplo-mergulho da crise econômica, encerrada há pouco mais de dois anos, aumentava um pouquinho mais com os números de forte desvalorização nos mercados asiáticos espocando nos terminais luminosos da Bloomberg e outras agências de notícias.

Na China, além das irradiações malignas da economia estadunidense, as Bolsas também foram influenciadas por problemas domésticos, como as expectativas de alta na inflação de julho. O índice Xangai Composto caiu 2,2% e terminou aos 2.626,42 pontos, o pior fechamento desde 20 de Junho. Para evitar maiores danos, o governo chinês induziu a desvalorização do yuan em relação ao dólar, com o Banco Central chinês elevando a taxa de paridade central dólar-yuan (de 6,4386 yuans para 6,4451 yuans). No mercado livre, o dólar fechou cotado em 6,4404 yuans. A moeda chinesa se valorizou 6% em relação à unidade dos EUA desde junho de 2010. Continue reading »

 

PARTE 1

PARTE 2

A comparação entre os salários da China e dos Estados Unidos, que realizamos no final de nosso boletim anterior, não era uma mera hipótese. Quando supusemos que o salário do operário na China representa para o capitalista 2.1 por cento do seu congênere nos Estados Unidos e que a produtividade do trabalho nos Estados Unidos é mais de trinta vezes maior que na China, considerávamos dados reais. Mais exatamente, dados publicados em relatório de 2002 pela UNCTAD, conhecida instituição da ONU que acompanha o desenvolvimento do comércio e investimentos globais. Vejamos esses números:

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