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Diário do Egipto VI
Publicado em Junho 16th, 2009 Sem comentários
Determinação e solidariedade na fronteira de RafahApesar das numerosas pressões do exército e da polícia egípcios, mantemos o nosso acampamento na fronteira de Rafah e o nosso grupo cresce todos os dias, somos actualmente 26 pessoas.
Ontem, o nosso amigo italiano deixou-nos, mas uma Alemã - Ilona, casada com um Palestiniano de Rafah, juntou-se a nós com as suas seis crianças com idades entre os dois e os doze anos. Ela quer voltar para junto do seu marido e dos seus três outros filhos, que ficaram em Gaza. Depois das autoridades egípcias lhe terem recusado a entrada, Ilona declarou: “Não, eu venho da Alemanha e eu não recuo. Não volto a dormir em Al Arish. Estou aqui e quero uma só coisa, avançar, entrar em Gaza.”
Por telefone, o seu marido indicou-nos que tinha pedido à sua família para reforçarem o acampamento com a sua presença.
Esta manhã, juntou-se a nós Mohamed, um refugiado palestiniano, antigo militante do FPLP que passou vinte e quatro anos nas prisões israelitas e que vive na Bélgica, e nove palestino-suecos, entre eles quatro crianças.
A filha de Mohamed, diabética, estudante em Gaza, quase não tem insulina. Foi por isso que ele veio, para lha levar, assim como outro material médico. Ele declarou-nos: «Desde 8 de Junho, as autoridades egípcias recusam-me a saída do Egipto. Eu ouvi falar do vosso acampamento e decidi ficar convosco. Diz-se que a fronteira será aberta na próxima quarta-feira, então eu fico».Desde que nos instalámos, faz agora 3 dias, recebemos permanentemente a visita da polícia ou dos serviços de informação. Todas as noites, o Coronel Mohamed passa para nos ver. Foi ele que nos autorizou a ficar, depois de ter feito uma enorme pressão sobre nós, ameaçando expulsar-nos à força.
Durante a sua visita de ontem à noite foi muito mais tolerante, e ordenou a abertura das casas de banho, que tinham sido fechadas juntamente com o bar, para nos forçar a sair, sob ordem do General Khalil Harb.
Esta manhã, os polícias vieram pedir-nos para desmontarmos as nossas tendas, mas nós explicámos-lhes que, devido à presença das crianças, não o podíamos fazer, porque elas tinham necessidade de dormir à tarde, e eles aceitaram.
Depois da sua visita de ontem de manhã, o General Khalil Harb voltou por volta da meia-noite para nos ameaçar. Ele declarou: «esta é uma zona militar. A vossa presença aqui é inaceitável. Utilizaremos todos os meios para vos fazer sair.»Mas, apesar de tudo isto, ficámos firmes e fizemos-lhes ver que não arredaríamos até a fronteira ser aberta.
Somos igualmente encorajados pelas atitudes de apoio da população egípcia. Eles trazem-nos sacos-cama, cobertores e cigarros. Esta manhã, um desconhecido deu-nos pão quente, depois um jovem trouxe-nos “Foul”, o delicioso prato tradicional do pequeno-almoço egípcio.Ontem à noite, um dos polícias chegou ao trabalho com um keffieh (lenço da palestina) sobre as costas.
Estas atitudes de solidariedade encorajam-nos e ajudam-nos a viver nesta promiscuidade, a que Ilona chama um hotel de 5 estrelas.Deixar uma resposta



