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  • Revista Rubra nº 4

    Capa da Revista Rubra nº 4

    Capa da Revista Rubra nº 4

    Editorial

    Vamos aprender grego?

    Dossier crise

    Na direcção de uma organização humanitária, Fernando Nobre não esconde o mal que as ajudas humanitárias podem fazer aos países pobres: como a FAO despeja neles os excedentes europeus subsidiados; como o Live Aid prolongou a fome na Etiópia; porquê a Índia recusou ajuda humanitária após o tsunami; como na crise económica os lucros das grandes empresas se tornam «obscenos». Fernando Nobre conhece a fome onde ela é mais dura mas também viu com os próprios olhos como a revolta das populações pode fazer cair um regime como um «castelo de cartas». / Raquel Varela

    Ana Caracala*, engenheira de recursos genéticos vegetais, a trabalhar com a FAO há 10 anos, explica como a velha e a nova «revolução verde» da FAO tingem de luto os países pobres e enchem os cofres da Monsanto, de Bill Gates e de Kofi Annan…

    Ana Rajado, geógrafa, e Sofia Rajado, geóloga, assinalam o centenário do nascimento de Josué de Castro, o geógrafo brasileiro que centrou todo o seu trabalho no combate à fome no Mundo e lutou pela reforma agrária. A fome não é causada pelo excesso de população; pelo contrário, a fome é condição para o descontrole demográfico.

    A crise, para Marx, era uma oportunidade, o único momento de desorganização e enfraquecimento do Estado capitalista. Nesta entrevista, o economista José Martins desenvolve o tema da crise, critica os marxistas financeiristas por terem um programa de salvação do capitalismo, demonstra que os EUA continuam a ser o motor económico do Mundo e que a China não lhes pode fazer frente, prevê ainda uma crise no crédito público de dimensões gigantescas. / Raquel Varela e Renato Guedes

    Será a China uma ameaça ao poder económico norte-americano? Neste artigo ficará a conhecer vários economistas, alguns asiáticos, que mostram que a China tem números de crescimento espectaculares porque está a expulsar do campo as populações que vão empilhar-se nas favelas das grandes cidades, fornecendo o salário da globalização: 0,75 cêntimos/hora. O controle da produção é feito por empresas estrangeiras. Made in China? Não, made in EUA e montado na China. / Renato Guedes

    Nacional

    Mário Machaqueiro, 45 anos, é professor de filosofia numa escola da Grande Lisboa e o rosto mais conhecido do movimento de professores APEDE, que convocou, juntamente com o MUP, a manifestação de 15 de Novembro de 2008 que reuniu 15 mil professores em Lisboa, à margem das direcções sindicais. / Renato Teixeira e Raquel Varela

    A Rubra acompanhou duas crianças que, no espaço de um ano, foram operadas em dois hospitais diferentes. A primeira no Hospital de D. Estefânia, a segunda, no Hospital St. Louis, depois de ter recebido um cheque-cirurgia. Veja como se paga mais por um serviço pior, as aldrabices do privado e como até a vida é colocada mais em risco nos hospitais privados… financiados pelo serviço público. / Raquel Varela

    Internacional

    O assassinato pela polícia grega, na noite de 6 de Dezembro de 2008, de um jovem de 15 anos, Alexis Grigoropoulos, fez transbordar uma torrente de ira. «Alex era um de nós!», foi o grito com que milhares de jovens gregos horas depois saíram à rua em Atenas contra um regime que destrói as suas vidas. / António Simões do Paço

    Em Janeiro de 1979 um dos mais fiéis aliados dos EUA no Médio Oriente, o xá Reza Pahlavi, duas vezes posto no trono por intervenções britânicas e americanas, fugia do Irão. Em Abril, era proclamada a República Islâmica. Em Outubro, a Rubra foi espreitar o país, trinta anos depois. / Texto e fotos de Renato Teixeira

    Subversão

    Há um século, em 1 de Fevereiro de 1908, o rei D. Carlos I e o príncipe herdeiro Luís Filipe eram assassinados por dois militantes republicanos, o professor Manuel Buíça e o empregado do comércio Alfredo Costa. No ano agora findo assistimos a diversas tentativas de rever a história, procurando rodear de simpatia o opressor morto e fazer entrar na categoria em voga de «terroristas» os seus executores. Mas não foi esse o sentimento da época, como relata este texto coevo de um certo observador russo que a Rubra descobriu e revela aos seus leitores./V. I. Lenine

    Cultura

    Carlos Drummond de Andrade dedica a Machado de Assis um poema intitulado «Ao bruxo, com amor», no qual encontramos o verso: «Outros leram da vida um capítulo, tu lestes o livro inteiro.» A síntese não parece exagerada, quando examinamos algumas páginas da obra daquele que é considerado por muitos o maior escritor brasileiro. / Suely Corvacho

    Para ler

    Para Além do Capital é a obra fundamental do filósofo marxista István Mészáros. / Fernando Ramalho

    Acção

    No dia 23 de Dezembro, antevéspera de Natal, 47 pessoas compareceram ao apelo da Rubra e de mais 13 organizações junto da embaixada norte-americana, na Avenida das Forças Armadas, em Lisboa, muitas delas levando um sapatinho, para exigirem a libertação imediata de Muntadhar al-Zaidi, o jornalista iraquiano que no dia 14 de Dezembro atirou os sapatos ao então ainda presidente dos EUA George W. Bush.

    O nosso lado